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Conversa com Alê Camargo

Sávio Leite: Quanto tempo de produção do longa e os maiores desafios?

Alê Camargo: Foram 3 anos de produção de fato, apesar da ideia ser bem mais antiga que isso. Começamos em 2018 a pré-produção do filme, e o previsto era entregarmos em 2020. Teríamos conseguido, mas aí tivemos março de 2020 e a chegada da pandemia, que pegou o mundo inteiro de surpresa. Tivemos que fechar nosso estúdio físico e adaptar a produção para trabalho remoto sem interromper muito o trabalho que estava sendo feito, e isso foi bem difícil. Áreas importantes da produção, como animação, iluminação/render e composição estavam em vários estágios de desenvolvimento, e coordenar toda a equipe à distância foi bastante complicado. Foi de longe nossa produção mais complexa, e um grande alívio conseguir terminar.


Sávio Leite: Quais foram as referências para a criação de Mundo Proibido?

Alê Camargo: Mundo Proibido se passa no universo de Fujiwara Manchester, um personagem que criei ainda adolescente, nos distantes idos dos anos 80. Sempre fui nerd e tive várias influências: Star Wars e Star Trek, claro, mas também outros filmes e séries menos conhecidos, como Buck Rogers, Flash Gordon, Battlestar Galactica, Buckaroo Banzai e outros. Ao longo dos anos outras referências se somaram a essas, como anime (especialmente os filmes do estúdio Ghibli) e quadrinhos europeus, como as histórias de Moebius, Juan Gimenez e mesmo as aventuras de Asterix, de quem sempre fui um grande fã.


Sávio Leite: Porque a escolha do 3D desde o início de vossos filmes?

Alê Camargo: Sempre gostei de animação no geral - 2d tradicional, stop motion, e por aí vai. Tive algumas breves experiências com algumas dessas técnicas. Mas quis o destino que eu começasse a trabalhar com animação na produtora Vetor Zero, uma das pioneiras do 3D aqui no Brasil. Isso foi em 1997, e passei meus primeiros anos de carreira trabalhando com eles, e aprendendo muito. De lá para cá temos feito algumas coisas para expandir nosso arsenal, por assim dizer, e adoraríamos criar filmes em outras técnicas também, se surgir a oportunidade certa.


Sávio Leite: Quais os próximos projetos da produtora?

Alê Camargo: Temos alguns longas, curtas e séries no começo do processo de desenvolvimento. Ainda é cedo para dar detalhes, mas esperamos em breve poder falar mais a respeito.

 

Esta entrevista foi realizada virtualmente por Sávio Leite, cineasta e professor, com Alê Camargo, diretor e produtor de "Mundo Proibido" (Camila Carrossine & Alê Camargo, Brasil, 2021), exibido no dia 24 de Junho de 2023, como parte da mostra "CineFantasyBH".

 

Sobre o autor

Sávio Leite é Mestre em Artes Visuais pela UFMG. É professor de cinema de animação no Centro Universitário UNA há 14 anos. Criador e coordenador da MUMIA – Mostra Udigrudi Mundial de Animação. Organizador dos livros Subversivos: o desenvolvimento do cinema de animação em Minas Gerais (2013), Maldita Animação Brasileira (2015) e Diversidade na Animação Brasileira (2018). Traduziu os livros Jorge Sanjinés e Grupo Ukamau – Teoria e prática de um cinema junto ao povo (2018) e A forma realizada: o cinema de animação de Dean Luis Reyes (2020). Editou o livro Uma introdução ao Cinema Underground americano (2022), de Sheldon Renan.



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